RPG e Educação…

Este é um tema que têm se destacado muito nos últimos tempos, entre os jogadores e praticantes de RPG e alguns educadores.

Sabemos que o RPG é uma atividade cooperativa e altamente lúdica, então por que não usá-la durante aulas?

Um bom exemplo de como isso pode ser feito está no texto extraído de u bom site que fala sobre o assunto. Aqui segue uma reprodução do texto, com seus devidos créditos:

Descubra como tornar sua aula atraente e eficaz

Quando o professor entrou na classe estávamos, como sempre, no maior papo. Juliana, espalhafatosa, tentava organizar uma festinha. Estava difícil, ninguém entrava em acordo sobre “quem levaria o quê”. Resolvemos deixar o assunto para o intervalo.
O professor Raul nos convidou para uma viagem, de fantasia, é claro, e aceitamos. Não entendi bem o que seria esta “viagem”, mas fiquei curioso.

O professor nos contou uma história:

– São seis horas da tarde. Vocês estão no ônibus escolar, voltando para suas casas. Percorrem uma rua no centro da cidade, que conhecem bem, quando, de repente, surge uma floresta em torno do ônibus. O motorista, assustado, dá um grito e mete o pé no freio. O ônibus pára alguns centímetros antes de bater numa enorme árvore. E agora, o que farão?

Olhamo-nos sem entender bem o que ele queria dizer com isto. Jorge expressou a dúvida de todos nós:

– Faremos o quê, professor?

– Ora, vocês estão num ônibus cercado por uma floresta que não deveria existir aí. Usem a imaginação. Se isso estivesse mesmo acontecendo, que atitude tomariam?

– Ah! Sairia do ônibus – sugeriu Francisca.

– Muito bem. Quem mais sairia? – perguntou o professor.

Concordamos em coro. Iríamos todos para fora.

– Vocês estão do lado de fora do ônibus, em meio a uma floresta densa, tropical. Sentem um calor abafado. Está bem mais quente que há pouco, quando sairam da escola. Vocês tentam imaginar o que aconteceu.

– O ônibus perdeu a direção e entrou num parque – concluiu Orlando.

– Que nada – brincou Angela – um cientista maluco criou uma fórmula que faz as plantas crescerem num milésimo de segundo e jogou em cima do nosso velho ônibus.

Enquanto ríamos, o professor continuou: – Vocês ouvem um ruído grave, como de ondas batendo numa praia. Um de vocês sobe em cima do ônibus e vê, a pouca distância, o mar. Há uma praia aí. Vocês não estão em sua cidade.

– Mas professor, aqui na cidade tem praia – reagiu Janaina.

– Nesta história vocês moram numa cidade sem praia – corrigiu o professor.

– Vamos para a praia, então – adiantou-se Sílvia, já entrando no espírito da brincadeira.

– Vocês correm para lá e agora, em terreno aberto, podem ver o teto do ônibus aparecendo em meio à vegetação. Há também uma montanha, não muito alta, relativamente perto de onde estão.

– Há alguém na praia? – perguntei.

– Não – diz o professor – a praia tem cerca de três quilômetros de extensão e não há nenhum sinal de vida humana. No horizonte só se vê o mar aberto. Está bastante quente, o sol muito forte.

Célia chama o professor para lhe perguntar algo: – Professor, em que…

Ele retruca, sem lhe dar tempo: – A partir de agora chamem-me de “mestre”.

– Sim, mestre.

– Pois não, mestre.

– À sua disposição, mestre – brincamos.

O mestre explicou: – Chamamos de “mestre” a pessoa que coordena a história, a aventura. Isto é necessário porque estamos vivendo numa situação diferente da que estávamos na sala de aula. Enquanto durar esta aventura, não sou mais o professor Raul.

– Certo, mestre. Em que posição está o sol? -completou Célia.

– Está a 45 graus, mais ou menos.

– A leste ou oeste?

– Vocês não têm bússola. Não há como saber isto agora.

– Se esperarmos mais alguns minutos – Janaina sugeriu – saberemos. Se o Sol subir no céu, está a leste. Se descer, está a oeste, entardecendo portanto.

– Passam-se trinta minutos e vocês notam que o Sol subiu alguns graus no céu.

– Puxa! Então agora devem ser nove ou dez horas da manhã – concluí – mas se estávamos voltando da aula às seis da tarde, como é que pode ser de manhã, novamente?

– E eu, que pensava estar livre da aula por hoje, olha ela aí de novo – disse Carlos, com ar chateado.

– Já entendi – diz Orlando, o apaixonado por ficção científica – por um desvio no contínuo espaço-tempo fomos transportados para outro lugar do planeta Terra. É a Terra, já que o Sol é o mesmo. Certo, mestre?

– O Sol é o mesmo, com certeza, e está na direção do quadro negro aqui da sala.

– Então, pelo horário, devemos estar do outro lado do globo, e na região equatorial, pelo calor e porque a floresta é tropical – concluí.

– Mas onde? – pergunta Sílvia.

– Vocês deixaram seu material escolar no ônibus. Podem consultar o Atlas – sugeriu o mestre.

Pegamos o Atlas do Cláudio e o abrimos ansiosos numa mesa. Uns por cima dos outros tentávamos nos localizar. O mapa era pequeno para caberem tantos dedos, apontando aqui e ali.

– Cuidado com meu Atlas! – ordenou, preocupado, Cláudio.

Verificamos o mapa-mundi com os fusos horários. Fizemos alguns cálculos e concluímos que estávamos em algum lugar do Oceano Pacífico, na altura do equador.

– Caramba! – alertou Flávio – devemos estar em alguma ilha deserta!

– Ou com nativos, comedores de gente – assustou Angela.

– E se subíssemos na montanha que vemos daqui, para verificar se é mesmo uma ilha? – sugeri.

– Você vai até a montanha e lá de cima percebe que estão mesmo numa pequena ilha, que parece deserta – completou o mestre – na volta, traz algumas frutas que colheu pelo caminho e as distribui a todos.

– Precisamos conseguir mais comida e água – considerou Fernando.

– E achar alguma maneira de sair daqui – completou Célia.

– Não podemos construir uma balsa e sair remando porque não sabemos para onde – emendou Carlos, preocupado.

– Mas, talvez… – pensava Francisca – … temos algum rádio?

– O ônibus tem um rádio – informou o mestre.

– Ligamos o rádio para ver se captamos algo – disse Francisca.

– Nada, só estática – o mestre informou.

– Se levarmos o rádio para o alto da montanha, e fizermos uma antena alta, talvez captemos algo – sugeri.

– Muito bem. Vocês levam o rádio à montanha e conseguem captar uma estação. Parece um noticiário numa língua estranha e vocês nada compreendem. Apontando a antena para nordeste o sinal se torna mais forte.

– Onde é o nordeste? – pergunta Beatriz.

– Se soubermos onde é o leste, saberemos onde é o nordeste – afirmou Marcos.

Todos abrimos os braços ao mesmo tempo, como nos ensinou o professor Raul e tentamos deduzir onde era o nordeste, apontando o braço direito para onde estava o sol, na direção do quadro negro em nossa sala, como o mestre havia informado.

Marco Antonio veio com uma idéia interessante: – Poderíamos cortar o teto do ônibus e fazer uma balsa com ele, já que este ônibus não sai daqui mesmo.

Juliana completou a idéia: – Podemos desmontar os pneus e usar as câmaras para dar flutuabilidade à balsa.

– E temos o rádio para nos dar a direção aproximada da civilização – completou Cláudio.

Neste momento, quebrando o clima, toca o sinal de fim de aula. Algumas manifestações de frustração e o professor dá uma sugestão:

– Vamos continuar esta aventura na próxima aula, mas, enquanto isso, vocês poderiam preparar um diário, já que todo viajante perdido tem um, relatando os fatos que podem sugerir a localização desta ilha e como sair dela. Poderiam também construir uma bússola, usando materiais que deveriam existir num ônibus escolar, para assegurar nossa localização.

Raul não disse, mas iria trazer, para a próxima aula, um mapa estelar da região da Polinésia. Queria utilizar o interesse despertado para entusiasmar seus alunos no estudo das estrelas e constelações.

Direitos autorais reservados.

Reprodução autorizada do artigo, parcial ou totalmente, desde que informe:

Autor: Alfeu Marcatto – Tel: 11 4396-1065 – Cel: 11 9799-8714 (horário comercial)
www.alfmarc.psc.br

Por quê não encontrar e conversar com algum professor da região, sobre o assunto?

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