A história do animê…

A controvérsia já começa com o nome em si, já que alguns escrevem/falam anime enquanto outros animê. De qualquer forma, as opiniões podem se dividir, mas em suma, ambas as formas de pronúncia e escrita estão corretas.

Anime. Ame ou odeie. Simples assim. Existem aqueles que não têm a menor afinidade com o desenho e o repudiam. Outros que pouco se lembram e nada de consistente podem dizer. E claro que também há os que idolatram com todas as suas forças esse pequeno gigante que é fruto de muito empenho do povo oriental.

Cito ainda antes de começar a matéria, uma curiosidade que provavelmente seja desconhecida para muitos de vocês.
Sabiam que para os orientais o nome se dá a todos os desenhos animados, ao passo que nós ocidentais, acabamos ligando o título apenas aos desenhos que foram produzidos no Japão? Ou seja, para eles, anime não está relacionado ao seu país de origem, mas sim com suas espeficações e demais elementos.

A razão pela qual resolvi abordar este assunto, é que o número de Otakus residentes no programa é algo realmente impressionante não?
Em qualquer sala do iRPG Chat  encontramos alguém que seja fã desse gênero, que já se tornou estilo próprio.
Então, que tal então conhecermos um pouco mais sobre a história e relembrar informações?

Segundo historiadores, o término da Segunda Guerra Mundial influenciou artistas orientais que se tornaram conhecedores e caíram nas graças da cultura norte-americana. E claro que com os desenhistas, não foi muito diferente. Na época, já existiam piratas (aqueles atravessadores de mercadorias ilegais) que forneciam filmes de Walt Disney para o povo da terra do sol nascente.

Alguns desses talentosos desenhistas se destacaram como Osamu Tezuka, Shotaro Ishinomori e Leiji Matsumoto. Estes acabaram se especializando então no quadrinho japonês, que é o chamado Mangá (Assunto que será abordado em  uma outra matéria específica).

Foi então que em 1950, alguns artistas se empolgaram e resolveram arriscar. Deram início a projetos experimentais. E o melhor de tudo: eles seriam animados, como aqueles que vinham contrabandeados do outro lado do mundo.

Com o crescimento do mangá, o anime foi beneficiado e pegou uma carona com seu ‘primo‘ artístico. A Toei Animation tornou possível essa bravata e desenvolveu o primeiro grande sucesso do gênero. Hyakujaden  (A Lenda da Serpente Branca) foi exibido pela primeira vez em 22 de outubro de 1958. A novidade resistiu bravamente ficou no ar por cerca de dois anos.

Então embalado pelo sucesso, no primeiro dia do ano de 1963 é lançado Tetsuwan Atom. Você não sabe qual anime seria esse? Talvez essa imagem ajude um pouco.

Sim, ele é o Astro Boy, anime baseado no mangá de Osamu Tezuka. Notem a estética das personagens.
Como o menino robô, a maravilha animada também conquistou um público fiel até mesmo nos Estados Unidos. Tezuka então foi aclamado e manteve com o próprio dinheiro uma produtora, chamada Mushi Productions. Este foi apenas o começo dessa nova era.

Os recursos ainda eram muito escassos, ao contrário das dificuldades que eram abundantes.
A produtora abriu espaço para outras criações e novos projetos foram desenvolvidos, mesmo que ainda buscando timidamente fazer frente aos rivais norte-americanos, abastados financeiramente e livres das preocupações que tal investimento proporcionava, afinal eles já dominavam o mercado mundial.
Por fim, encorajados pelo sucesso reconhecido, os produtores continuaram arriscando.

Em 1967, para a sorte e alegria deles o anime Maha Go Go Go (Speed Racer)  que era um patinho feio dos desenhos mundiais, ganhou fama e foi valorizado graças a criatividade e conteúdo de suas tramas, assim como os ângulos e efeitos de cena, totalmente inovadores. Neste mesmo ano, um total de outros quatorze animes foram lançados. A febre por fim começava. Dali para frente, os títulos pareciam recém-saídos de uma grande pastelaria, agradando meninos e meninas, ganhando espaço na mídia televisiva e sendo exibidos até mesmo em cinemas. A febre aumentava. E como bem sabemos, continua a aquecer os termômetros ainda nos dias atuais, nada mais e nada menos do que quase seis décadas depois.

Agora que já vimos o processo de ascensão do Anime, que tal analisarmos suas características?
Deve-se dizer que até mesmo um leigo no assunto é capaz de reconhecer tais criaturas (humanas ou não) que tem aqueles olhos exageradamente grandes e brilhantes, cabelos espetados e bastante coloridos, assim como seus traços únicos.

E claro, não podemos nos esquecer dos seus simbolismos.
As gotas d’água, balõezinhos ou simples ‘riscos‘ que surgem na cabeça da personagem representando vergonha, timidez, ou constrangimento. Para estas, também se aplica a diminuição de tamanho ou estatura da criação.
Também devemos ressaltar os olhos que se tornam corações quando em flerte, dentes pontiagudos como presas, chifres e afins quando este se encontra irado ou perto de tomar alguma atitude maligna.

E não se pode deixar de lembrar do poderosíssimo áudio dos desenhos, já que eles costumam a acompanhar a trama com uma interação e precisão quase cirúrgica. Nada comparado a dublagens de novelas mexicanas exibidas em canais da rede aberta, não é mesmo?

Cada criador tem sua marca registrada. Todo artista tem seus traços e suas idéias. Basta atentar-se para isso e certamente se reconhecerá alguns detalhes que fazem toda a diferença entre este estilo de desenho e os demais.
Olhos alaranjados, roxos, rosados e com designer inovador são marca de Tezuka, que sempre valorizou demais tais detalhes. Detalhes que em suas mãos se tornaram verdadeiras vias de regra para se qualificar um anime.

As roupas, cabelos e demais acessórios, expressam muito da cultura e gosto oriental, independente do período em que a história é desenvolvida. Cada anime tem seu cenário e essas características se encaixam perfeitamente no período em que se encontram. Personagens que utilizam trajes reais e quase fantásticos, outros que se vestem naturalmente, sem muitos apetrechos ou laços vistosos e ainda aqueles que utilizam armaduras especiais que são bases importantes para o desenvolvimento da história.

Por hora é isso, espero que tenham gostado. Em breve quem sabe não teremos a história dos mangás…

Abraço…

Texto postado originalmente em www.rpgonline.com.br, por Greyheart.

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