Mestrar: Improviso ou preparação?

Bem, depois de algumas poucas novidades sobre o nosso evento que se aproxima, gostaria de falar um pouco sobre uma pergunta que todos os mestres de RPG já devem ter feito para si mesmo. Na hora de mestrar, é melhor improvisar ou me preparar? Posso dizer que ambas as formas têm suas vantagens, mas vamos ver o que podemos discutir sobre o assunto.

Preparação

Não se pode negar que uma aventura bem preparada é muito bem vinda a qualquer mesa, de qualquer mestre. Preparação pode cobrir possíveis falhas na aventura que por ventura aconteceriam numa aventura improvisada. Um mestre que conhece bem o seu grupo tem uma boa noção de o que eles fariam nas mais variadas situações e a preparação é um fator importante quando se fala em organização. Se o mestre tem o objetivo preparado, algum improviso vai ser necessário para levar o grupo até ele, mas ele vai ser alcançado (se o grupo for bem sucedido, é claro).

Quando falo em preparação, falo em muitas coisas que podem ser utilizadas. Numa aventura de Horror a preparação pode ser feita com o ambiente, sons, mesas extras ocupando espaços e deixando o grupo desconfortável. Numa aventura de High Tech, uma música de “hard funk” pode mostrar muito do cenário.

Muitas coisas podem ser consideradas como preparativos. Uma aventura totalmente escrita e com objetivos certos têm tendência a serem bem sucedidas, pois, por mais que o grupo se desvie de toda a situação, o mestre sabe exatamente onde eles devem estar, no momento certo.

As aventuras prontas que achamos por toda a grande rede são um bom exemplo de preparação. Elas trazem quase tudo que o mestre precisa para fazer com que o seu grupo chegue ao objetivo. Servem o mestre com os principais NPC’s, características de cada um dos inimigos mais prováveis, etc. Uma “mão na roda” para quem não teve tempo para se preparar.

Um método de preparação pouco utilizado, mas que pode ser bastante eficiente é o jogador que trabalha como espião. Nesse caso o mestre tem que ter controle total sobre a situação que deve acontecer e tem que conhecer bem os seus jogadores, pois alguns deles podem não entender a brincadeira e levar isso para um lado mais complicado da “relação” jogador-mestre.

Ou seja, resumindo tudo em um único parágrafo, a preparação é importante e faz com que o mestre tenha todo o conteúdo da aventura na ponta da língua. Faz com que o mestre tenha fácil acesso às respostas que vai precisar durante a aventura e deixa ele mais confortável por ter certeza de que o objetivo vai estar lá no final da aventura, mesmo que eles sigam por um caminho diferente.

Mas por outro lado…

Improviso

A arte de improvisar vem de longa data e deve ser uma das formas mais interessantes de mentir ou inventar. O improviso é a arte de ter respostas para todas as situações, de um modo plausível. E devemos saber que sem uma preparação mínima, não há como haver improviso.

Recentemente conversando com um amigo ouvi sobre um método que pode ajudar muito na aventura, sem exatamente “se preparar” e ganhar tempo para outras questões.

Seguindo as suas observações sobre o método, vi que ele simplesmente se faz as perguntas que os jogadores poderiam fazer, com as informações que já dispõem na aventura e as responde antes da sessão. Essas respostas serão utilizadas durante a aventura durante os eventos que tiverem alguma importância. As respostas que os jogadores precisam serão entregues logo eles dêem ao mestre a ocasião certa. Caso os jogadores não dêem essa ocasião, o mestre trata de improvisar (não é disso que estamos falando?!).

Também recentemente eu mestrei uma única aventura no cenário do novo Mundo das Trevas. Por não conhecer o sistema de regras tão bem como deveria, resolvi me aprofundar na história e fiz o que muitos já devem ter feito. Montei a aventura de trás para frente.

Comecei a procurar na aventura quem era o “big boss” e vim dele até os jogadores, dando motivos e importância à todas as camadas da trama.

Esse é um método bem interessante também, pois faz com que mesmo sem saber exatamente qual o próximo passo dos jogadores, o mestre tenha certeza de o que vai acontecer se eles forem aos lugares certos ou procurarem as pessoas que estão envolvidas.

Foi muito interessante ver a reação dos jogadores ao conseguirem juntar todas as respostas e chegarem num único resultado. O homem por trás de tudo.

Minha preparação foi apenas saber quem e por que de tudo acontecer. Todo o resto foi improviso.

Apesar de em alguns momentos a liberdade dada aos jogadores gerar alguns momentos monótonos, ela não pode ser tirada. Tirando essa liberdade, qual a graça em se fazer um personagem de RPG e ser obrigado a seguir ordens restritas ou caminhos que levam até um lugar que você não quer ir? (Mas isso e assunto para uma próxima conversa!).

Creio que o improviso seja melhor para ser utilizado numa mesa de RPG, pela liberdade dada aos personagens, desde que um método de simples de preparação seja utilizado.

Espero agradar à gregos e troianos nessa pequena mostra

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Um pensamento sobre “Mestrar: Improviso ou preparação?

  1. Gosto muito do que está chamando de improviso.
    Delinear os contornos gerais da história e deixar o barco correr… Fica mais interativo e mais desafiador…

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