Desbravadores do Oculto: resenha [parcial]

“Não se descobre novas terras sem se consentir em perder a costa de vista por um longo período.”

André Gide

Acho que é motivo para orgulho existir um cenário tão bem trabalhado e tão original, mesmo sendo baseado na série Mundo das Trevas [1.0].

Quando comprei achei que leria só uma versão interessante do mundo das trevas, mas me surpreendeu o modo como o cenário foi alterado e coube perfeitamente às suas necessidades.

Introdução: Tobias 8, 2-3

O livro começa com um Conto que trata de um ex-policial, um repórter da cidade de Varginha e um padre. Fala exatamente sobre como as pessoas comuns vêem o Oculto, qual a sua primeira impressão e quais são, normalmente, suas primeiras reações. O Conto tem uma leitura bem pessoal e clara. Deixa à vontade o leitor, por ser contado de forma que todos ouvimos no nosso dia-a-dia.

Capítulo I – A Noite chama

Se você está lendo isto, esteja preparado para as conseqüências. Espero que alguém que busque o mesmo que busquei, e não um simples desavisado que encontrou esta carta por acaso. Se você sabe quem fui e o que fiz, então também entende como foi meu fim. É isto o que o aguarda se não tomar cuidado. Prossiga por sua própria vontade, pois uma vez que você entra neste caminho, não há volta.

O segundo capitulo trata da descrição do mundo às vistas de um psiquiatra. Ele nota as diferenças do mundo em fevereiro de 2002, através de uma visão que ele compartilhou com seu paciente mais interessante. Em seu relato, ele fala sobre a ignorância do mundo quanto às coisas que acontecem a sua volta, sobre a negação da sociedade humana para os acontecimentos do Oculto, sobre outros desbravadores e algumas características que os desbravadores vão enfrentar para entrar nesse mundo perigoso.

A leitura é ótima e fácil de ser entendida. Nenhuma regra é citada, somente textos e explicações sobre o cenário. Todo ele fica muito bem explicado e nada parece ficar subtendido. O destaque desse capitulo fica por conta da situação a que o doutor chega ao final de seu relato.

Capítulo II – Sozinhos na Escuridão

Quando a noite cai, os monstros saem para caçar: mortos-vivos despertam sedentos de sangue; grandes “cães” rondam em becos escuros e guetos afastados; cultos diabólicos se reúnem em rituais profanos; o mundo dos mortos se torna mais próximo do nosso… Mas nem todos ignoram os sinais.

Esse capitulo talvez seja o mais interessante, pois explica os problemas que a sociedade humana tem em conhecer e demonstrar para outros o Oculto e o Sobrenatural. Explica as dificuldades da tecnologia e da ciência em provar para as pessoas que o Oculto existe e começa a tratar das sociedades secretas [todas fictícias, diga-se de passagem].

Cita cinco sociedades secretas que trabalham com o Oculto e as detalha. Um trabalho muito bem feito e perfeito para o que se propõe.

O destaque desse capitulo fica por conta da descrição detalhada das cinco sociedades secretas.

Capitulo III – Os Segredos da Noite

A humanidade tem uma grande aversão ao trabalho intelectual; mas mesmo supondo-se que o conhecimento pudesse ser facilmente obtido, mais pessoas estariam contentes em ser ignorantes do que se dariam ao trabalho de adquiri-lo.

Samuel Johnson [1709-1784]

Aqui o autor fala, nas palavras de Alec Lee Stevens [um dos Patronos Ocultos dos EUA] dos seres e manifestações que infestam as cidades ao cair da noite [que trocadilho horrível!]. Fala sobre lobisomens, vampiros, fantasmas, espíritos não-humanos, entidades demoníacas e angelicais. Ele deixa bem claro que esses conceitos são bem abstratos, pois podem haver variações e tipos diferentes daquilo que ele conhece.

O autor do texto escreve como se estivesse passando os seus conhecimentos para os desbravadores mais jovens, aqueles que estão iniciando o caminho que ele trilhou durante muito tempo.

O destaque dessa parte, além da descrição dos seres, do ponto de vista do “Dr. Estranho”, são os demônios, que parecem ser [como deveriam ser em qualquer cenário] os piores inimigos da humanidade.

*******

O livro conta ainda com mais dois capítulos e dois apêndices que falam de regras para a criação de Desbravadores, sobre os antagonistas e as abominações que podem existir no mundo de Ao Cair da Noite. Como ainda não joguei nenhuma sessão, fica realmente difícil falar sobre o funcionamento dos novos Históricos, e outros benefícios que podem ser adquiridos pelos jogadores. Nesse caso prefiro não comentar sobre esses capítulos no momento.

Erros? Poderia citar alguns pequenos erros ortográficos [o que não atrapalha em nada a leitura] e uma coisa que me incomodou no início, mas no final, achei muito interessante. Todo o cenário e suas características são descrito por terceiros. Não é um erro, mas assim como no início eu não gostei, talvez alguém mais não goste.

Mas posso adiantar que não era o que eu esperava. Achava que teríamos mais um sistema com regras para seres sobrenaturais, mas é exatamente o contrário. Caso fôssemos comparar com algum outro cenário, o que chegaria mais perto seria Hunter: the Reckoning [o que é uma ótima comparação]. Superou minhas expectativas.

Uma nota da 1 a 1d10 seria 8.

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2 pensamentos sobre “Desbravadores do Oculto: resenha [parcial]

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