Quando os dados são necessários…

Eu sempre fui daqueles mestres que para tudo que os jogadores fossem fazer pedia algum teste, algumas vezes isso era interessante, mas na maioria dos casos deixava o jogo enfadonho, tanto para mim quanto para os jogadores, portanto neste pequeno texto, vou passar um pouco da minha experiência com rolamentos de dados, espero que seja útil.

“Você quer ler o pergaminho? Então faça um teste de Língua dificuldade 10!!!”

Bem, se você é um daqueles mestres que para tudo que acontece durante a partida pede uma rolagem de dados, eu imagino que seu grupo vá morrer logo. Digo isso porque fui um desses mestres durante quase três anos, me fascinava ver os dados rolarem, adorava colocar desafios quase impossíveis para os personagens ou verem eles se virarem com o acaso, mas isso realmente desagrada muitos jogadores por isso tive que me contentar em apenas mestrar em eventos ou ocasionalmente estórias curtas, nunca consegui manter um grupo unido ou angariar jogadores para as minhas partidas, exatamente porque eu exagerava nas rolagens de dados.

Não adianta você ter uma estória bem elaborada, pdm’s fascinantes e afins se você durante a partida torna as coisas enfadonhas e sem emoção. É exatamente isso que acontece quando você utiliza muitas rolagens de dados, a emoção da partida é assassinada. Até hoje meus colegas se lembram de uma cena perseguição numa masmorra, não precisei fazer uma rolagem de dados sequer, somente a imagem e a descrição do local e da situação foram mais do que suficientes. Foi a partir daí que comecei a me atentar, às vezes eu mesmo achava minhas partidas sonolentas, mas não entendia bem o porquê. Foi observando os mestres mais antigos que notei que realmente havia algo errado comigo e detectei o erro e o mais importante mudei.

Recentemente no nosso grupo narrei uma seqüência de perseguição e combate a um assassino em Minas Tirith, desta vez foi preciso algumas rolagens, como para alguns saltos pelos telhados, acrobacias e ataques, mas, a maior parte, deixei que os jogadores dissessem o que fariam e descrevi as conseqüências, assim como as ações do assassino perseguido. Posso lhes dizer que foi uma seqüência de grande emoção, que é muito lembrada e o será por um bom tempo ainda.

Nas ações mentais como ler um pergaminho, não tenha preguiça, escreva o diabo do pergaminho!!! Faça três versões, uma em português claro, caso o jogador consiga um sucesso total, no caso de outras línguas, se você não conhecer quenya ou sindarin, sem problemas escreva na língua estrangeira que você conhece, com inglês, alemão, espanhol e misture com algo em português, caso o personagem consiga um sucesso marginal e deixe o texto na língua de sua preferência caso o personagem não consiga sucesso no teste.

No caso de ações sociais e acadêmicas, as rolagens podem ser mais do que dispensadas, bastando apenas a boa e velha interpretação. Afinal de que vai adiantar uma rolagem de porte ou carisma se você chega logo chamando o rei de velho enrugado. Nas questões de renome então seria até melhor esquecer aquela tabela de modificadores pois se você faz coisas impressionantes, mesmo longe, as pessoas ao menos ouviram falar, sendo realmente dispensável que se faça um teste para saber se os habitantes de uma cidade já ouviram falar de um matador de dragões ou caçador de trolls.

Enfim, já chegando ao final destas poucas linhas, gostaria de reforçar um pouco mais minha mensagem, as rolagens de dados em excesso deixam o jogo mecânico e matam a interpretação, o mais legal é que você narrador descreva mais e com maiores detalhes os fatos e permita que os jogadores contem um pouco da história descrevendo suas ações, isso realmente vai ajudar muito, enquanto isso até mais!!!

*****

Essepost não é meu, mas é muito interessante. Tirei ele do Gurps a Pampa, mas ele é original daqui: http://minasmorgul.gamevortex.com.br/resenha_05.htm

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5 pensamentos sobre “Quando os dados são necessários…

  1. Concordo que rolagens sem descrição tornam o jogo mecânico demais, mas discordo que menos rolagens = maior diversão. Eu gosto muito de pedir que os jogadores descrevam/interpretem suas ações, mas exijo testes sempre que há um desafio com chance de falha. As idéias dos jogadores podem facilitar/dificultar o teste, mas de modo algum deveriam ser suficientes para vencer desafios.

    Senão, você está confundindo as habilidades do personagem com as do jogador. O bárbaro burro de Int 6 pode ter idéias geniais porque seu jogar não é burro, enquanto o personagem chato de Carisma 8 pode seduzir a princesa porque seu jogador é eloquente? Eu acho que não.

    Por exemplo: há algo escondido na sala. Se o jogador diz “eu vasculho a sala”, posso exigir um teste com CD 15 para achar a passagem secreta, por exemplo. Mas se ele descreve bem o que está fazendo a ponto de por acaso procurar no lugar certo, baixo a dificuldade para 10 ou mesmo 5. Contudo, nada vai ajudá-lo se ele fez um personagem com baixa Sab e sem treino em Percepção e tirar um resultado ruim nos dados…

    (Exemplos todos usando o sistema D&D 4e)

    Tiago José “Deicide” Galvão Moreira
    http://www.underhaven.com.br

  2. Vejam só! O relato de um mestre narrativista encontrando soluções narrativistas dentro de um sistema simulacionista! Entendo bem o que esse cara passa/passou…
    Ótimo post!

  3. Opa! sem querer ser ofensivo, mas o comentário foi sem minha linha de risadas “hehehehe”.

    Acho que sem elas parece que estou gritando, mas olha pessoas estou falando baixinho, baixinho!

    Abraços

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