Interpretar ou não interpretar [2]…

Vendo o post de mesmo nome do Patrique, da Casa dos Lordes [que bom que está de volta] pensei em algo que observei ontem na minha mesa de Gurps e fiquei com uma dúvida desgastante.

Meu amigo Emilson tem um personagem policial e falando um pouco do personagem posso dizer o seguinte: Ele é um cara bem concentrado e tranquilo.  Tem suas poucas perícias totalmente voltadas para combate, conhecimento básico de leis, computação e sedução. Um cara que gosta de dinheiro, de mulheres e que confia demais em si mesmo.

Bem, tivemos uma situação onde ele e os outros personagens tiveram que negociar com um ex-policial e seu filho, por uma situação incômoda para ambas as partes.

O nosso policial foi o personagem que mais negociou e trabalhou na parte do contato. Já que ele tratou de resolver o problema.

Depois da sessão, tivemos uma conversa e um dos jogadores me deu um puxão de orelha sobre a questão de não pedir jogada de dados para resolver a questão que foi resolvida com roleplay. E eu concordo que em certos momentos as jogadas devem ser feitas mesmo que incidam em uma porcentagem muito pequena de falha.

Mas no caso em questão, o nosso policial resolveu tudo sem precisa de nenhuma jogada.

Aí que veio minha dúvida.

Eu devia ter punido o jogador por interpretar uma habilidade que o seu personagem não tem [no caso habilidades sociais] ou devia ter premiado ele por conseguir resolver o problema sem precisar de testes?

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17 pensamentos sobre “Interpretar ou não interpretar [2]…

  1. Nesse caso é complicado. Normalmente nós temos esse tipo de coisa, um cara que é mais sociável e mais carismático que faz um personagem com baixa nessas habilidades, sabendo que ele pode suprir isso apenas com interpretação. Infelizmente, na minha opinião, você deveria ter dado um puxão de orelha nele. Assim como normalmente não damos a solução de um mistério para alguém “burro” que está jogando com um ótimo investigador, não deveríamos deixar que alguém “esperto” resolvesse tudo usando artifícios que vão além da planilha do personagem. Mas eu ainda acho injustiça.

  2. Eu sou da opinião que tem que testar E interpretar. As duas coisas não são antagônicas e têm de andar de mãos dadas. A interpretação ajudará a definir a dificuldade da tarefa, mas são os dados que determinam o sucesso. Interpretou bem? A dificuldade cai, porque o personagem foi convincente, mas se o personagem é um chato que mal sabe conversar, então seu bom argumento pode falhar.

    Vamos imaginar um caso oposto: o policial seria péssimo em combate, mas o jogador vai e descreve um ataque supercomplexo de artes marciais, em todos os detalhes, explicando como é possível e até “fácil” fazê-lo. Você pede para ele rolar os dados ou simplesmente dá vitória instantânea?

    O mesmo vale para momentos sociais. Se os jogadores se descuidarem do social em suas fichas, então eles têm de ter dificuldade para vencer desafios sociais. Senão, é o jogador que está passando a lábia no mestre, e não o personagem que está convencendo o NPC.

    Tiago José “Deicide” Galvão Moreira
    http://www.underhaven.com.br

  3. Se o jogador interpretou segundo princípios de “estatísticas” de sua ficha, não vejo nada de mais resolver com interpretação. Mas existem detalhes que podem também interferir.

    Vou fazer um post sobre minha opinião, achoq via ficar mais completa a resposta.
    😉

  4. Bem… antes de mais nada… quem decide é o mestre…

    mas… na minha opnião… uma coisa é deixar jogador livre para interpretar e abdicar assim de algumas roladas pela naturalidade da interpretação do jogador… e até dar pontos por interpretação e/ou criatividade por essas ações…

    MAS….

    se um pc totalmente OGRO por exemplo… não no sentido da Raça… mas no sentido QI baixo e apenas força e combate… na mão de um jogador inteligente… não quer dizer que o cara possa EMULAR perícias no seu personagem pelo fato DELE ser um bom intérprete… eu costumo dizer o seguinte….

    – Jogador chega com seu mega OGRO de QI 7 e fala para o taberneiro em sua interpretação
    “Caro taberneiro, considero-te praticamente o avatar do leviano porém amado deus do vinho, tens como me ceder gentilmente em troca dessas poucas peças de cobre, uma recuperante e bem vinda taça de hidromel?”

    Por mais que o jogador tenha se esforçado… e até o mestre ficar interessado pela interpretação… eu perguntaria… vc tem Trato Social ? ele responderia… não… entao eu pediria o pré-definido.. e caso o resultado tivesse sido ruim… eu teria falado ao jogador..

    “Vc chega… bate no balcão grune algumas coisas inteligíveis para o taberneiro… joga as moedas na frente dele e grita algo como – HIDROMEL MI DÁ !!!”

    Uma coisa é interpretar o que seu personagem FARIA e está APTO a fazer…
    Outra coisa é sair interpretando teatralmente o que bem desejar… isso não faz parte (no meu ver) do RPG.

    flw

    Mestre Meyer

  5. Ué, cadê meu comentário? Escrevi uma resposta longa, e não foi publicada? o.O

    Resumindo: acho que interpretação e dados têm de andar juntos. A interpretação pode facilitar ou dificultar o teste, mas são os dados que têm que determinar o resultado.

    Afinal, se o personagem for ruim em briga, mas o jogador descrever um golpe nos mínimos detalhes, você deixa ele derrotar o adversário ou manda ele jogar os dados?

    Tiago José “Deicide” Galvão Moreira

  6. Bem Alexandre, neste caso, EU aprovaria a interpretação DESTA VEZ, pois o jogador fez uma boa interpretação e não seria “inteligente” puní-lo.

    Entretanto, após o jogo, sentaria com ele e conversaríamos sobre o ocorrido, para que ele interpretasse sim sua personagem, mas de forma que as estatísticas de sua ficha o permitissem.

    Posteriormente, é importante uma conversa entre TODOS os jogadores da mesa, para que o ocorrido fosse exclarecido, assim, todos poderiam se interessar mais pela interpretaão de sua personagem e até criar futuras personagens que eles tivessem maior afinidade e facilidade para interpretar.

  7. Pingback: Estatísticas vs Interpretação | E as putaquipariedades aleatórias do que interessa « Urina de Dragão

  8. Thiago, o seu comentário tinha caído no Spam. Não sei por que, mas foi resolvido. Desculpe pela demora eu autorizar…

    Edy, foi o que fiz. A interpretação dele foi boa e eu deixei passar. Eles foram bem sucedidos devido à socialização do policial em questão, mas vamos conversar para debater sobre esse assunto.
    Agora vou me deleitar com seu post.

  9. >Thiago, o seu comentário tinha caído no Spam. Não sei por que, mas
    >foi resolvido. Desculpe pela demora eu autorizar…

    Acho que foi o link para meu site que tenho o costume de pôr no final das mensagens. A segunda mensagem não teve link e foi aceita.

    Tiago José “Deicide” Galvão Moreira

  10. vlw Alexandre!

    O Deicide fez um comentário foda lá no Urina de Dragão:
    Complementou uma parte importante que eu esqueci de escrever!

  11. Relendo os comentários, fiquei com uma pulga me incomodando.
    Meyer. Você citou um exemplo de um ‘ogro’ de IQ 7 falando belissimamente com o taberneiro. Perguntaria se ele tem o Trato Social [ou lábia, manha, ou o que for mais conveniente no momento]. Se ele não tiver trato Social e for bem sucedido no teste pré-definido, você concordaria com ele falando daquele jeito? Mesmo com IQ 7?

  12. Então,
    concordaria sim… pois este eh exatamente o universo que dispõe o pré-definido…

    resumindo… todo mundo pode sim tentar algo q nunca o fez…
    o sucesso e o erro deste, é que farão diferença no resultado (pré-definido)

    Obviamente usei de MUITA metáfora e sarcarsmo para vislumbrar o cenário fictício do meu exemplo…
    no caso de um sucesso.. no mesmo exemplo que apontei no meu comentário, o ogro teria falado (em sucesso) algo como:

    “Boa noite, taberneiro, vc me dá um hidromel por essas moedas”

    😛 o mestre DEVE concatenar essas situações e obviamente, optar pelas melhores, que condizem com as capacidades do personagem !!!

  13. @Meyer, eu queria ver era o mago do grupo falar daquela maneira. QI6 o dele, auwhuawhuwah

    Bem, um teste de sucesso da personagem que não tem a “perícia” necessária, seria uma jogada de sorte memso, literalmente.

    Ou a personagem usa uma palavra que o NPC goste, ou um termo, gesticula, sei lá.. vai da interpretação… e esse “detalhe” passa a fazer parte da ficha deste NPC. Uma construção da estória em conjunto de verdade: O jogador “descobre” como aquele NPC gosta de ser “tratado”, da mesma maneira que nós “descobrimos” que tipo de conversa nossos amigos gostam ou não.

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