[Resgate RSC] Buraco Negro

Antigamente eu tinha um blog de nome RPG SEM COMPROMISSO (RSC). No dia 27 de janeiro de 2009, escrevi o texto que apresento novamente, dessa vez nesse blog – Zona Neutra. Como esta escrito no título do post, estamos resgatando palavras a muito tempo perdidas. Fiquem a vontade para comentar, ler, ignorar, ou faça o que veio fazer.

E se abrir um buraco negro no planeta?

Essa questão surge por causa do Grande Colisor de Hadros, um túnel redondo, de 27 quilômetros de circunferência (WoW!!!), enterrado 100 metros debaixo da terra na fronteira da Suíça com a França. Lá os cientistas estão acelerando feixes de prótons a 99,99% da velocidade da luz em direções opostas, para que se choquem. O resultado são 40 milhões de trombadas por segundo – que podem gerar, entre outras coisas, buracos negros. Mas não são aqueles corpos celestes enormes, com densidade tão intensa que engolem tudo o que estiver ao seu redor, inclusive a luz. Os buracos negros criados por humanos são realmente minúsculos.

Segundo Michelangelo Mangano, físico do Cern, centro de pesquisa onde o LHC (sigla em ingles de Grande Colisor de Hadros) foi instalado, o buraco negro não teria tamanho para fazer mal a ninguém. Além disso, não viveria mais de 0,0000000000000000000000000001 (são 27 zeros depois da vírgula); segundo, por que, como todos os outros buracos negros, emitiria radiação e evaporaria.

Mas vamos supor que ele, em vez de evaporar, se mantenha estável. Aí o buraco pode devorar a terra? A resposta é não de novo. Nosso miniburaco negro teria sido criado quase à velocidade da luz e continuaria a passear nesse ritmo se não desaparecesse. Assim, em menos de 1 segundo, ele atravessaria as paredes do acelerador e se afastaria da terra, em direção ao espaço. A única maneira de ele permanecer por aqui é se a sua velocidade for reduzida a 15 km por segundo. Vamos supor que isso acontece também.

Ai sim: por causa da gravidade , ele caminharia para o centro da terra. Mas continuaria sendo ínfimo e nada perigoso. Para que virasse uma ameaça, seria preciso ganhar massa e crescer, e isso só aconteceria se o buraco negro começasse a engolir matéria. O problema é que quem tem o tamanho de um próton passa facilmente pelo interior da terra sem trombar em nada – não parece, mas o mundo ultramicroscópico é quase todo formado por vazio. Na verdade, ele só encontraria um próton para somar à sua massa a cada 30 minutos a 200 horas de passeio. Ou seja, poderia demorar até 8 dias! aí complica: “Para o buraco negro chegar a ter 1 miligrama, levaria mais tempo do que a idade atual do universo”, diz o físico Alexandre Suaide, da USP.

Assim mesmo que o buraco negro criado na Cern não evaporasse e não fugisse para o espaço, ele não conseguiria crescer o suficiente para se tonar ameaça a tempo de acabar com o planeta antes disso: em 5 bilhões de anos, quando o Sol explodir.

Mas e se… Um buraco negro vindo do espaço caísse na terra?

Bom, ele não “cairia” aqui. A Terra é que cairia nele. Um buraco negro do tamanho de uma bola de pingue-pongue teria uma massa maior que a do nosso planeta, então iria atraí-lo. E a Terra começaria a orbitar o buraco. O primeiro sintoma para nós seria o fim dos dias e noites do jeito que conhecemos. Quanto mais rápido a terra girasse em volta dele, menos iria durar os dias e noites. Depois, continuariamos sendo puxados pelo buraco negro, nos aproximando dele num caminho em forma de espiral. Quando a Terra chegasse à borda do buraco, a atração de um lado seria tão maior que no outro que o planeta arrebentaria. E a matéria que antes formava a Terra ficaria toda esticada, até se transformar em uma nuvem cumprida e enrrolada ao redor do buraco. Antes de ser estragado, o ex-planeta acabaria com um formato mais ou menos parecido com o da nossa galaxia, que, por sinal, está agora mesmo girando em volta de um buraco negro – só que um dos grandes, que pode ter um diâmetro quase 130 vezes maior que o Sol.

Texto tirado da revista SuperInteressante, nº 253 de junho de 2008. Assinado por Karin Hueck (um pouquinho modificado).

Agora o RPG:

Podemos tirar desse texto várias idéias para aventuras de Rpg. Pelo menos assim posso visualizar. Imaginem a quantidade de situações que podem surgir se um buraco negro atingisse a terra. Existiria um tempo para os personagens tentarem evitar que a terra seja destruida, mas claro que essa parte, de como os personagens fariam isso, deixo a cargo dos fãs de Viagens Espacial. Enquanto isso uma mudança drástica ocorreria com a terra: clima, tempo de duração do dia e da noite alterados, entre outras coisas que meu conhecimento do universo não permitem dizer.

E se o buraco negro se forma-se dentro da terra o Narrador poderia estabiliza-lo em sua aventura e acelerar o processo de crescimento dele, dando um tempo para os personagens tentarem evitar que a terra seja engolida pelo buraco negro quando ele ganhar tamanho suficiente para isso. É possivel utilizar as proprias instalações do Cerns, que deve ser imenso.

Existe ainda a possibilidade dos cientistas (que podem ser os personagens ou não) estabilizarem o buraco negro e que ele tenha alguns efeitos colaterais extremos: mudanças na condição do planeta (de novo, mas sem o risco de destruí-lo), ser um portal que leva para uma dimensão paralela de puro sofrimento (ou não), pode ser um portal de viagem no tempo, entre outras possibilidades.

Sei que pode parecer uma viagem muito longa da minha cabeça, mas que disse que o rpg não pode ser assim? Por isso mãos a obra e tenham suas idéias e vamos desenvolver essa idéia juntos.

[Resgate RSC] Atributos no mundo do Rpg

No dia 24 de janeiro de 2009 apresentei esse artigo sobre atributos de RPG, mais especificamente a inteligencia. Na época eu tentava criar um cenário com sistema próprio, mas não foi adiante. Dentro da dificuldades que tive no trabalho de criação, me deparei com o problema que é pensar e desenvolver atributos. Foi desse ponto que eu tive a inspiração para esse artigo. A matéria de Super Interessante foi o que me ajudou a escrever esse artigo. Se quiser saber mais continua lendo. O texto em azul são comentários de hoje, dos dias atuais.


tamanho-x-inteligencia

Há algum tempo comecei com uma ideia de criar um sistema. Depois a ideia se transformou em um cenário atual/futurista pós-apocalíptico. Tentando criar um sistema sozinho percebi que as coisas não seriam fáceis. Mesmo para criar um sistema simples as coisas são mais difíceis do que aparentam. É muito fácil pegar um sistema pronto e dizer que ele não é bom ou que deixa muito a desejar. Eu já fui assim e 3D&T era o meu alvo preferido na hora de falar mal de um sistema. Hoje vejo o quanto fui injusto e percebo as qualidades do sistema e o trabalho que deve ter sido pensar nas regras, para que elas fossem boas, simples e únicas. Alguém pode demonstrar que estou enganado, mas é assim que penso agora (e em dezembro de 2012 ainda penso). Outro sistema que falo muito mal é o WoD (e ainda falo), mas esse cumpre os objetivos a que se propõe.

Por causa dessas dificuldades e do trabalhão que é criar um sistema, ainda mais se você estiver pensando em criar um cenário também, decidi usar o Daemon como base para meu sistema, que se chamará Visões (tudo ficou só nos rascunhos – um dia quem sabe). Nesse sistema não haverá historia, apenas regras, ao melhor estilo Gurps (as historias poderão ser utilizadas de outros sistema: Trevas, Invasão, entre outros).

Continuar lendo

Tagmar 2 – Informativo Setembro/Outubto de 2012

Olá a todos os Tagmarianos,

Este é o nosso informativo de Setembro/Outubro de 2012. Depois de de calmaria após o inicio do segundo semestre, o projeto está voltando a ficar agiatado.
se agitaram:

1) Migração do Servidor do Site do Tagmar 2
Finalmente foi completada a migração do nosso site para um servidor novo. Este novo servidor além de ser bem mais rápido, possui um banco de dados mais moderno (SQL Server 2008) e com ele poderemos dar prosseguimento nas melhorias do nosso site, como por exemplo, a nossa tão esperada “Ficha Online”.

2) Retorno aos trabalhos do Livro dos Deuses e Demônios
Após um bom tempo parado, voltamos a tocar este projeto. Acompanhem as novidades em http://www.tagmar2.com.br/forum/default.aspx?g=topics&f=39

3) Livro de Criaturas
Estamos também retornando aos trabalhos de expansão do Livro de Criaturas. Visitem http://www.tagmar2.com.br/forum/default.aspx?g=topics&f=22 e ajudem a melhorar as criaturas que já estão Em Oficialização.

4) Novos Ilustradores para Tagmar
Estamos abrindo uma convocação para novos ilustradores para Tagmar. Nossa lista de Tarefas (http://www.tagmar2.com.br/Tarefas_Lista.aspx?Tipo=I) foi carregada com várias ilustrações a serem feitas. Há ilustrações para o Livro de Criaturas e para o Livro dos Deuses e Demônios.

Pedimos ajuda para divulgarem isto aos ilsutradores fãs de RPG e que possam se dispoar a nos ajudar. Ilustrar para o Tagmar 2 sempre é uma boa oportunidade de mostrar o potencial do ilustrador brasileiro.

5) Contos para Tagmar
O livro “Crônicas de Tagmar – Volume 2” continua recebendo contos. Já temos 6 contos quem podem ser lidos diretamente da nossa TagmarPedia no verbete Crônicas de Tagmar-volume 2.

Mas aproveitem, pois ainda estamos aceitando colaborações. Não perca oportunidade de participar. Envie o seu conto para nós. Os detalhes de como devem ser feitos os contos podem ser visto em  http://www.tagmar2.com.br/wiki/Default.aspx?PageName=Cr%C3%B4nicas%20de%20Tagmar-volume%202.

6) O Templo e o Casamento
Esta nova aventura, que agora será nossa nova “1ª Aventura” finalmente ficou pronta e já está em votação. A previsão de lançamento é para novembro.

Bem… é isso aí!

Vida longa ao Tagmar!

Marcelo Rodrigues
Coordenador do Projeto Tagmar 2

[Resgate RSC] Por Um Momento de Heroismo

Esse texto foi publicado em 18 de dezembro de 2008, no extinto blog RPG SEM COMPROMISSO. Agora, resgatando as palavras, para que não se percam para sempre, apresento esse texto que fala de como eu gostaria de ver mais heroísmo nas mesas em que jogo aqui na cidade onde moro.

“”As vezes me pego imaginando uma forma de meu personagem fazer alguma coisa heróica. Mas o meu conceito de heroismo sempre envolve a vida de outras pessoas. Perigo e risco de morte. Ou seja, arriscar a minha vida (do personagem) pelo próximo. Já ouvi um de meus companheiros falando em arriscar a vida pelos companheiros de grupo. Porém, pra mim, isso não é bem ser heróico, mas sim uma necessidade de sobrevivência, mesmo que exista um auto-sacrificio, mas meio que isso ofusca o ato de heroismo. Continuar lendo

[Resgate RSC] Criticar ou Não Criticar? Eis a Questão!

Fim de Sessão. O mestre recolhendo os papeis olha para os jogadores e diz:

“— O que acharam da sessão de hoje?”

Sinceramente, pra mim, esse é um dos bons momentos da sessão. O único problema é que eu não sei amenizar as palavras. Além disso, acho que tenho amizade suficiente com os mestre do grupo (dificilmente jogo com estranhos), pra falar abertamente.

Porém, faz um tempinho que percebo o mestre do grupo no qual jogo atualmente um pouco distante e por que não dizer, estranho com a minha pessoa. Sei que posso estar enganado, e espero estar enganado, mas se for essa a situação real o que devo fazer?

Um dos primeiros motivos que me levam a ser assim: é que eu espero que os meus jogadores se comportem assim comigo, pois acredito que só com as críticas é possível atingir um nível mais elevado naquilo que fazemos. Mas se o que ando percebendo se concretizar, é por que nem todos pesam igual a mim em relação a esse assunto(e pra falar a verdade nem devem…).

A minha opinião sobre o assunto é de que devemos falar abertamente sobre o que achamos da sessão que jogamos. Sei que devemos exaltar os pontos positivos, assim como devemos apontar os pontos negativos. Não há sentindo em dizer sempre que as coisas estão boas se o pensamento não for o mesmo.

Entendo que não exista maneira certa ou errada de se jogar, e sei que não sou o melhor dos mestres, mas se jogamos em grupo acredito que tenhamos que estar em sintonia e todos tem que gostar do que estão fazendo. E mesmo eu não sendo o melhor dos mestres, sei, até mesmo nos meus erros, o que pode estar errado em uma sessão de rpg. Isso se deve ainda ao fato de que vejo nos pontos fracos que aponto exatamente o que falta nas minhas aventuras e sabendo que eu não estava fazendo direito, tento mostrar a quem quer que seja, que assim não é a melhor maneira.

Não quero ser o dono da verdade, mas essa é a minha maneira de pensar e agir.

[Personagem] Donovan

Esse personagem era pra ter sido enviado para o blog PcPronto, do Mestre Meyer, mas eu não resisti. É um importante personagem que utilizei em meu último jogo de rpg para Gurps, que tinha como Game Master Alexandre Nordestinus, o mesmo do blog Zona Neutra. Porém, garanto que esse será um dos poucos personagens apresentados aqui, a grande maioria será mandando para o Mestre Meyer, para postar no blog PcPronto.

Porém nesse artigo encontra-se o background e a ficha técnica do personagem. A ficha com suas caracteristicas estão com o Amigo Alexandre, o mestre na ocasião. Esta, a ficha, será mandada para Mestre Meyer, e se ela for postada no blog PcPronto eu colocarei o link aqui. Se não for postada lá é porque ela não merece ser apresentada ao público.

. . .

FICHA TÉCNICA DE BRYAN DONOVAN

 

NOME: BRYAN DONOVAN
SEXO: MASCULINO
PESO: 75 kg
ALTURA: 1,78 m
COR: PARDO
IDADE: 26 anos
NOME DO PAI: MARCOS DONOVAN
NOME DA MÃE: JULIANA DONOVAN
OUTROS PARENTES: NÃO
AMIGOS: DIANA SALES, ANDERSON MARQUES, ELOISA MARA, WALTER LIMA E SARA VEIGA.
IMPLANTES BIÔNICOS: OS DOIS BRAÇOS, AS DUAS PERNAS E OS OLHOS.
ARMAS DE COMBATE: PISTOLA LASER, FUZIL,ESPADA CURTA E GARRAS.
COMBATE CORPORAL: CARATÊ.
Nº. DE VÍTIMAS ELIMINADAS EM AÇÃO: 13
Nº. DE VÍTIMAS QUE ESCAPARAM: 4
PENSAMENTO: MATAR OU MORRER!

bryan

PERSONALIDADE:

Meio depressivo. Parece procurar a morte em cada uma de suas missões. Apresenta inicio de depressão e fortes oscilações de humor. Não é muito inteligente, mas apresenta uma forte esperteza nas ruas. Não se mostra valentão, com exceção dos momentos certos ou quando provocado.

Não gosta de ouvir músicas ou ver televisão, na verdade são poucas as coisas que gosta atualmente.

SITUAÇÃO ATUAL:

Atualmente Donovan encerrou uma tarefa. Porém foi uma das tarefas mais simples: entregar um pacote. Entregou e recebeu o pagamento. Em seus momentos de folga, quando de dia, anda pelas ruas fazendo um reconhecimento das pessoas. Ou então treinando em uma academia qualquer. A noite gosta de ir a bares de estripes e festas em geral, mas dificilmente por diversão, na maioria das vezes vai em busca de serviços, contatos ou simplesmente observar em que pé anda a movimentação pela cidade.

* * *

Essas são as principais informações que o centro de inteligência conta sobre o alvo. As buscas por informações continuam assim como o acompanhamento do mesmo. Abaixo, em anexo, há um texto que foi retirado de uma fita cassete, encontrada em uma das celas da delegacia local.

. . .

***incio do texto***

É muito difícil perceber a realidade e ver as coisas de uma maneira normal. A muito não durmo direito e nas poucas vezes que consigo dormir tenho pesadelos. Minha historia não tem nada de agradável e talvez você não se interesse em ouvi-la, mas caso queira, escute a fita até o fim.

Desculpe por não ter gravado essas informações em um CD ou outra droga mais tecnológica, infelizmente essa é a única coisa que tenho a mão.

Tive uma vida normal em minha infância. Nasci na capital do Ceará, Fortaleza, e vivi nela toda a minha vida. Sou filho de Marcos e Juliana Donovan e nada mais merece ser dito sobre a minha infância.

Aos 14 anos tive a maior tragédia de minha vida. Meu pai, minha mãe e eu voltávamos de um final de semana no interior e o carro em que vínhamos sofreu um grave acidente, chocando-se de frente com um caminhão. Ainda hoje não tenho certeza de quem foi a culpa: se do caminhoneiro, em suas longas horas acordado, ou minha, em meu ataque de egocentrismo, que me levou a discutir com meu pai e desviar a atenção dele da estrada. O fato é que nunca vou perdoar o culpado. Só falta descobrir quem ele é: eu ou motorista.

Como você pode perceber por essa fita, escapei do acidente, mas num péssimo estado. Para meu azar fiquei preso entre os ferros retorcidos. Os bombeiros só conseguiram me tirar do carro cortando minhas pernas, pois o veiculo estava prestes a explodir. Mais tarde no hospital descobri que meu braço direito também estava comprometido, esmagado no acidente e foi amputado também. Passei messes no hospital.

Além de carregar a culpa pelo acidente e perder três de meus quatros membros, ainda carrego a certeza da perda de minha mãe. Meu pai sobreviveu ao acidente, mas passou a viver em cima de uma cadeira de roda. E para aumentar a minha tragédia ainda tenho que carregar o desprezo do meu pai, que me culpa pelo acidente.

Depois que meu pai e eu saímos do hospital, voltamos para nossa casa em fortaleza. Foram dias difíceis. Em pouco tempo meu pai perdeu todo dinheiro que tinha e passamos a ter dificuldades financeiras. Ele vendeu todos os seus bens, a casa foi por último. Mudamos para um pequeno apartamento em um bairro afasto e sujo. Durante esse período mal nos falamos e eu podia perceber em seus olhos que a minha presença fazia com que as péssimas recordações daquele dia nunca acabassem.

Meu pai nunca se preocupou em comprar próteses para mim e a minha tristeza não me deixava pensar nisso. Passei muito tempo em cima de uma cama, sendo tratado por uma enfermeira contratada e depois que o dinheiro acabou pelo meu próprio pai. Porém um dia meu pai saiu de casa enquanto eu dormia e nunca mais voltou. Fiquei sozinho em cima de uma cama esperando o meu fim chegar, mas o destino nunca que iria me dar esse presente naquele momento. Dois dias depois que meu pai saiu de casa, uma vizinha estranhou a falta de movimentação e me achou abandonado na cama em uma situação que eu prefiro não descrever. A minha vizinha Diana chamou a assistência social e eles me levaram para um abrigo.

Diana, a mulher que me encontrou, é uma das poucas amozades que tenho, mas a historia dela eu conto em uma próxima oportunidade.

(barulho e a fita é interrompida, passa um tempo em silencio, depois parece ser desligada, mas logo em seguida continua)…

Sinto muito pela interrupção, mas estou aqui de novo, vamos continuar.

Depois que meu pai e eu saímos do hospital passaram-se quase dois anos, até meu pai me deixar no dia em que a morte de minha mãe completou exatamente dois anos. Depois que meu pai partiu passei a morar em um abrigo e para falar a verdade nunca me importei. Eu teria passado meus últimos dias ali, esperando a minha morte chegar e acabar com toda a minha tristeza, mas como já disse antes o destino nunca que me daria esse presente.

Passei oito anos morando no abrigo. Diana me visitava quase todos os meses, pelo menos uma vez, durante esse período. Nos dez anos que se seguiram desde que minha mãe morreu, a tecnologia evoluiu muito e eu descobri isso através de Sovelis. Um dia quando não esperava mais nada da vida, enquanto eu tomava meu banho de sol, ele chegou ao meu lado. Com um simples olhar ele me fez entender que sabia o que se passava em meus sentimentos e entendeu que eu tinha desprezo pela vida.

Sovelis me contou do mundo além das paredes do abrigo, como as coisas haviam mudado e o quanto eu poderia aproveitar tudo isso para fazer minhas lembranças ruins sumirem. Sem demora deixei que ele me levasse. Não sei o que ele viu em mim, mas com certeza não foi algo bom. Minha única tristeza nesse dia é não ter me despedido de Diana.

Em poucos meses eu estava nas ruas. Sovelis me deu duas pernas e um braço. Eram mecânicos, sem sentidos, sem vida e frios, mas melhores e mais fortes. Em troca eu fazia o que ele me pedia: ceifar vidas. Não importava quem era, classe social, cor ou religião, só importava que Sovelis me indicasse. Mas a única ordem que eu aceitava era: MATE. Eu não torturava e não seqüestrava, simplesmente entregava o doce alivio da morte.

Seis meses depois que recebi meus novos membros, percebi que eu não era bom o suficiente. Algo estava me atrapalhando, demorei um tempo até perceber o que era: meu braço esquerdo de carne, assim como meus olhos. Tomei uma decisão que assustou muitas pessoas: substituir meu braço esquerdo de carne por um mecânico e meus olhos por algo mais eficiente. Sovelis foi um pouco relutante no início, mas devido a minha insistência e meus trabalhos bem sucedidos ele aceitou. Substituíram meu braço, meus olhos e fizeram melhorias no meu braço direito, acrescentando uma garra e um depósito de veneno. Passei alguns meses fora de combate, mas quando voltei já não havia mais nada do meu antigo eu. Abandonei meu antigo nome e assumi o nome BRYAN, mas mantive o Donovan, para não esquecer de onde vim e o que fiz. Deixei minhas emoções de lado e aumentei o meu desprezo pela vida, tanto pela minha, quanto pela dos outros.

Dois anos se passaram desde que Sovelis me resgatou do abrigo e me deu um novo corpo e um novo sentido para minha vida. Serei eternamente grado a ele, mas já não devo mais nada a ele, paguei tirando a vida de muitas pessoas. Há uma semana cheguei até Sovelis e lhe falei que não queria mais ficar ao lado dele, pois precisava descobrir meu próprio caminho. Achei que seria mais difícil, porém ele simplesmente me pediu um último serviço e disse que depois eu estaria livre. Pensei ser um truque, mas aceitei. Depois que conclui o trabalho ele me entregou algum dinheiro, se despediu de mim e eu parti.

Hoje vivo em um quarto no subsolo de um pequeno prédio de um bairro que não lembro o nome. No meu quarto tem uma cama, uma cômoda e um guarda-roupa, tem ainda uma imitação de cozinha em uma bancada embutida: em baixo do lado esquerdo um frigobar e do lado direito uma lixeira; no meio do lado direito um pequena pia e do lado esquerdo um fogão duas bocas, que usa o gás do prédio, em cima o armário de mantimentos. Tudo do meu senhorio como parte do meu contrato de aluguel.

No subsolo há ainda mais três quartos, mas como pude notar, acho que só tem mais um ocupado. Além dos quartos tem um banheiro coletivo, assim como nos outros andares. Bem que o banheiro precisa de uma limpeza, mas pelo menos quase nunca está ocupado quando preciso.

Preciso ir de novo…, mas não demorarei pra continuar.

(novamente barulho, mas desta vez, é possivel ouvir ao fundo som de pancadas em metal e a frase “hora de sair…”)

Já estou de volta, foi bem mais rápido do que pensei. Ainda bem que o gravador e a fita ainda estavam no mesmo tijolo solto que deixei da última vez. Na verdade esse gravador já estava aqui antes mesmo de eu ser preso pela primeira vez. E por coincidência é a terceira vez que fico na mesmo cela dessa delegacia. Mas não se preocupe, pois nunca fui preso por matar, quase sempre é por causa de bebedeira ou brigas. Amanhã estarei nas ruas de novo.

Essa é a minha ultima gravação nessa fita… Não que eu não vá voltar mais pra esse cubículo, mas não terei mais nada a dizer. Esse é o melhor resumo que posso fazer de minha vida. apesar de que não sei se deveria deixar isso registrado.

Não me pergunte o porquê de estar deixando essa gravação, eu acho que é por causa da solidão deste lugar. Essa espelunca quase sempre esta vazia quando estou preso.

Então é isso… Pra você que ouviu essa fita torço, onde quer que eu esteja que sua vida seja infinitamente melhor que a minha… e para que seu caminho nunca cruze com o meu.

***fim do texto***

 

[Personagem] Leandro Batista

Leandro tem 28 anos. Sua vida foi bem normal, até o dia em que sua família foi atacada por vampiros. Pai de um menino de oito anos e marido de Madalena, uma bela mulher, Leandro presenciou a mulher ser morta e seu filho ser abandonado. Tudo isso por conta de seu trabalho – ele era policial.

A morte de sua família foi ocasionada por causa de um caso que Leandro estava à frente. As suas investigações o levaram a descobrir coisas que não devia sobre os vampiros, mas mesmo sabendo do perigo ele não parou e cavou cada vez mais fundo. Os olhos das criaturas da noite se voltaram sobre ele.

 

Certa noite, ao voltar para casa depois de um dia de trabalho, Leandro foi surpreendido por invasores na sua casa. Depois de ser acertado com um forte golpe ao entrar em casa, Leandro desperta amarrado em uma cadeira no seu quarto e na sua frente amarrados e caídos no chão, sua mulher e seu filho. Durante toda a noite Leandro e sua familia são torturados e em determinado momento os invasores tentam fazer com que Leandro decida em que ordem eles iriam morrer diante de seus olhos. De forma relutante Leandro acaba escolhendo sua mulher, que imediatamente é morta por um dos invasores com um tiro na testa. Os invasores atormentam Leandro ameaçando matar seu filho, mas não fazem. Em vez disso colocam Leandro no porta malas de um carro e o levam para uma BR afasta do centro da cidade e de qualquer sinal de civilização. Param o carro no meio do nada, abrem o porta malas e soltam o menino. Sem poder reagir por estar muito ferido, Leandro apenas chora enquanto o porta malas é fechado. Leandro mais uma vez perde a consciência. Quando acorda está de volta em casa deitado ao lado do corpo de sua mulher. Sem forças para reagir Leandro novamente desmaia.

 

Leandro acorda de novo. Desta vez ele está na cama de um hospital. Do seu lado seu parceiro na policia. A recuperação acontece rápida. Quinze dias depois ele já de voltas as ruas, mesmo com a insistência do departamento para que ele não voltasse tão cedo. O único compromisso que Leandro resolve antes de voltar a trabalhar é o enterro de sua mulher.

 

Hoje Leandro divide seu tempo entre seu trabalho na polícia, a caça aos vampiros e a busca por seu filho. Sua casa ainda se encontra da mesma forma que estava na noite em que sua mulher foi morta e seu filho sumiu. Não há muito o que Leandro possa fazer, por que a esperança já o abandonou e o único momento de alívio que ele encontra é quando destrói mais um vampiro.

  • Para fazer o download da ficha (para nWoD ou Gurps) acesse o blog do Mestre Meyer: PcPronto